Mostrar mensagens com a etiqueta concordar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta concordar. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Obrigatório ler... Em Defesa de Nós!


Um cheirinho, para aguçar apetites:

"A ironia romântica e a melancolia são inseparáveis. Ser melancólico é viver numa dúvida perpétua, numa confusão persistente. Essa vaga desorientação, se for vista de uma forma adequada, não é um fracasso do conhecimento. É, ao invés, uma disponibilidade honesta para aceitar o facto de que nunca podemos saber nada em definitivo, que somos inevitavelmente ignorantes da verdade no seu todo. Ao aceitarmos esta conclusão, temos muitas vezes de suportar um pesaroso limbo. Mas também ficamos abertos à veloz interacção entre as oposições da vida e a possibilidade de compreender, ainda que brevemente, a natureza da interacção. Essa abertura é necessariamente irónica, porque nunca adopta com sinceridade qualquer interpretação, ou qualquer antinomia. Esta posição em aberto é, de facto, brincalhona, quase inocente, perfeitamente sintonizada com a possibilidade, a ambiguidade irredutível da experiência, os incertos e trôpegos murmúrios do tempo".

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Simbolismos da Aliança


O que está em causa no debate em curso sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo não são os comportamentos nem os factos mas algo mais complexo: o poder das palavras e o edifício simbólico que elas constroem. E isso está bem patente no projecto de lei do PSD, que opta por chamar “união civil registada” e “parceiros” ao que os outros chamam “casamento” e “cônjuges”. E isto porquê? Porque uma parte da população (sobretudo, a mais católica) se sente ferida com a linguagem. Se as regras da mobilização militar nos estados unidos proibiam, até há pouco tempo, a declaração reflexiva “Eu sou homossexual” era porque isso podia ser interpretado como uma tentativa de sedução ou como uma agressão. Aceder assim a tão poderoso e antigo edifício simbólico (o casamento) pode parecer uma revolução, mas é uma revolução conservadora. Todos nos devemos regozijar com a resolução de problemas práticos e legais. Mas é preciso não esquecer que integrar a ordem do discurso a que pertencem as representações sociais do casamento significa uma submissão à linguagem que sempre procedeu pela violência e pelo poder discursivo de impor uma definição de homossexual.


Ao Pé da Letra

Sobre a ordem e o poder da palavra “casamento”
António Guerreiro
Expresso – Actual – 09 de Janeiro 2010

sábado, 19 de dezembro de 2009

Saramaguiar...


... em excerto tão cereteiro (também) nos tempos que correm.

(Itálicos meus).





…, Não sei se fui escolhido, mas algo sei, sim, algo devo ter aprendido, Quê, Que o nosso deus, o criador do céu e da terra, está rematadamente louco, Como te atreves a dizer que o senhor deus está louco, Porque só um louco sem consciência dos seus actos admitiria ser o culpado directo da morte de centenas de milhares de pessoas e comportar-se depois como se nada tivesse sucedido, salvo, afinal, que não se trate de loucura, a involuntária, a autêntica, mas de pura e simples maldade, Deus nunca poderia ser mau ou não seria deus, para mau temos o diabo, O que não pode ser bom é um deus que dá ordem a um pai para que mate e queime na fogueira o seu próprio filho só para provar a sua fé, isso nem o mais maligno dos demónios o mandaria fazer, Não te reconheço, não és o mesmo homem que dormiu antes nesta cama, disse lilith, Nem tu serias a mesma mulher se tivesses visto aquilo que eu vi, as crianças de sodoma carbonizadas pelo fogo do céu, Que sodoma era essa, perguntou lilith, A cidade onde os homens preferiam os homens ás mulheres, E morreu toda a gente por causa disso, Toda, não escapou uma alma, não houve sobreviventes, Até as mulheres que esses homens desprezavam, tornou lilith a perguntar, Sim, Como sempre, às mulheres de um lado lhes chove, do outro lhes faz vento, Seja como for os inocentes já vêm acostumados a pagar pelos pecadores, Que estranha ideia do justo parece ter o senhor, A ideia de quem nunca deve ter tido a menor noção do que possa vir a ser uma justiça humana…




José Saramago
Caim

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Arejamento Democrático


“… os portugueses são de um individualismo mórbido e infantil de meninos que nunca se libertaram do peso da mãezinha…; [a História de Portugal foi sempre] repartida entre o anseio de uma liberdade que ultrapassa os limites da liberdade possível (ou sejam, as liberdades dos outros, tão respeitáveis como a de cada um) e o desejo de ter-se um pai transcendente que nos livre de tomar decisões ou de assumir responsabilidades, seja ele um homem, um partido ou D. Sebastião”.

Jorge de Sena – Sermão da Guarda, 1977

sábado, 15 de agosto de 2009

Entre Gay e Queer...





... como já aqui se pode ler em maior extensão e por outras palavras. E como Sérgio Vitorino, que gentilmente cedeu o texto, diz tão acutilantemente.



"Eu não estou para lá da identidade. Desconstruo racionalmente, mas sou homossexual e oprimido como tal, e isso identifica-me. Uma pessoa (hetero ou homo) que não tenha sentido a homofobia na pele pode "entender" isso, mas não pode vivê-lo. E pode declarar que somos todos homossexuais, até é verdade que somos todos directa ou indirectamente alvo da homofobia, mas não pode querer apagar-me a identidade de homossexual, que é minha e não partilhada por si, e que é a pulsão básica que me junta a outras pessoas para lutar contra a homofobia, independentemente de também abraçar outras causas e de também as outras discriminações me mexerem com o sistema, mas não da mesma forma como esta me atinge e como a apreendo no quotidiano".




domingo, 7 de junho de 2009

Porto by Night


Breve história: saída de casal gay à noite do Porto. Noite sem novidade, porque já não pode tê-la. Aparece um rapaz alcoolicamente dançante, tão bem disposto quanto lúcido. Quer, nessa boa disposição, oferecer uma dedicatória, escrita num papel qualquer, desde que possa escrevê-la. Transforma a dedicatória em palavras para o casal. Segue-se um laivo de mais acesa lucidez por parte do rapaz: “na noite é isto, ou fodes ou estás desesperado por foder e não consegues; porque a vida é assim – ou sublimas ou destróis”.

Valha-nos tal riqueza na perpétua pobreza da noite.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Elogiar Um Elogio


"A auto-suficiência feminina assinala de alguma maneira uma independência que não é do agrado dos homens, pertence ao reino dos ersatz (termo alemão que se refere a um produto de substituição, de menor qualidade), das compensações, pertence ao reino do coito instrumental que coloca o órgão masculino numa posição subalterna, que o condena a assemelhar-se ao último dos vibradores. (…).
Os anos passaram, a tempestade acalmou, hoje a masturbação tem direito de cidadania, no entanto, ela ainda não é suficientemente desculpada, e é preciso reafirmar muito claramente que todo o interdito está revogado: é lícito, normal, é belo, certo, bom, agradável, conveniente, vulgar, excelente, decente, louvável, meritório, útil, aceitável, feliz, frequente, habitual, corrente, compreensível, excitante, tentador, atraente, cativante, recreativo, interessante, estimulante, reconfortante, apaixonante, tonificante, fortificante, vivificante, exaltante, perturbador, inebriante, embriagante, voluptuário, legítimo, razoável, defensável, desculpável, permitido, legal, autorizado, leal, recto, válido, justificado, correcto, justo, honesto, brioso, natural… masturbar-se, quer se seja homem ou mulher, e sobretudo se se é mulher, pois ainda é muito frequente que as mulheres e as raparigas – nos homens é muito raro – não ousem abandonar-se ao auto-erotismo, quando isso lhes faria muitíssimo bem".

Elogio da Masturbação
Philippe Brenot

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sábio Leitor


No Ípsilon, de 13 de Fevereiro último, um leitor que nos reforça a beleza e o impacto de “Milk”. Em noite de Óscares é já um triunfo que entre nós alguém tenha lido assim.

(…) o filme (…) é realmente uma obra-prima. E tal facto consubstancia-se essencialmente pela razão que, sendo o seu realizador homossexual e sendo o filme tão inevitavelmente “gay”, (…) não deixa o mesmo de provocar a ambivalência necessária à compreensão que um heterossexual pode ter da homossexualidade. Pois o filme é essencialmente sobre homossexualidade. E sobre minorias. E sobre a maioria que uma minoria pode construir. E sobre o nosso medo – dos heterossexuais – dessa minoria que pode ser uma maioria. E é também sobre um homem que soube fazer uma maioria de uma minoria. E sobre as perfídias próprias da política institucionalizada. (…)
Luís Coelho, 28 anos
Fisioterapeuta

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Cinzento


Geralmente, não gosto, mas não gosto mesmo do autor. Essencialmente porque sinto que se excede (e não raras vezes a si mesmo), que tem uma veia de pró-multifacetado que não me parece que consiga ser, porque o culto do ego lhe cobre as faces e discurso. Mas desta vez, e a partir do que se pode ler aqui, sinto-me inteiramente de mãos dadas com ele. Até porque francamente não sei como não se possa estar!

Acho que o excerto que se segue diz tudo:


(...) Eu penso que Portugal não vale muito como nação e como povo - aquilo que nos separa da inviabilidade não é tanto como, por inércia, nos habituámos a pensar. Vejo Portugal um pouco como aquelas mulheres fatais que, entre os vinte e tal e os quarenta e poucos anos, se habituaram a reinar como princesas, seduzindo e cativando tudo à roda e julgando-se eternamente senhoras do jogo. Mas, um dia, olham-se ao espelho, percebem que o seu poder de sedução está a desaparecer e correm para as plásticas, para os ginásios ou para um sem-número de truques com os quais julgam poder enganar eternamente o que, pela natureza das coisas, tem um fim. Um dia, dissipado o nevoeiro do espelho, com a miserável realidade das facturas para pagar, extinto o charme do fado, do sol e do bidonville algarvio, Portugal dar-se-á conta de que está sozinho e de que já ninguém se deixa seduzir pelo seu jogo de mulher fatal da Europa, o país "que deu novos mundos ao mundo", o Infante, as caravelas e toda essa conversa gasta (...). Os países, tal como as pessoas, podem viver da aparência ou da substância. Mas não viverão sempre da aparência se não tiverem substância que a suporte.


PS - agradecimento ao alerta de M(i)M(i).


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Plumíssimas Revoluções


Houve um post que me deu mote. Mote para dizer algumas coisas consonantes com a linha condutora desse mesmo post. Depois, percebi que as coisas que queria dizer estavam já ditas numa produção do país de nuestros hermanos, que ao que parece estão a fazer com que não passe de uma baboseira a velha frase de que dali nem bons ventos, nem bons casamentos, a julgar por provas (como esta, ou como esta) contrárias à baboseira.


Das palavras de Ricardo Lammas e Javier Vidarte, retiradas daqui, me faço valer em apoio à (sobre)vivência tão bem ilustrada pelo limbo entre o babuíno e o ser humano, tão bem apontada como desumanamente erguida sobre a esfarrapada promessa que julgávamos haver na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ora, leia-se Llamas e Vidarte:

…os animais já têm a sua Declaração Universal dos Direitos do Animal desde 1977 [pelo que se sublinha a pertinência dos 30 anos referidos no post-mote]. Quase se poderia dizer, ironicamente, que os animais nos levam uma dianteira, ainda que nós [, pessoas LGBT,] não queiramos a nossa própria declaração de direitos humanos e civis, mas em vez disso queiramos é não conformar-nos com o que vale para toda a gente, porque não é para toda a gente que afinal vale. (…) Observamos um eco distante, um certo paralelismo entre a tónica geral e os conteúdos da Declaração Universal dos Direitos do Animal e o que se vem fazendo connosco e com os nossos direitos, com o modo como nos concedem amavelmente e num acto de grande generosidade – que grande é o coração heterossexista! – estes direitos.

Ao proporem-nos que na referida Declaração Universal dos Direitos do Animal exercitemos a substituição da expressão “animal” por “não-heterossexual”, Llamas e Vidarte deixam-nos a pensar sobre o quanto há por fazer e dão inteira razão ao que no mencionado post-mote podemos ler. Para acabar, deixo ainda palavras dos mesmos autores, que encetam tanto de cruel quanto de belo. Porque talvez na vontade de arrumarmos de vez com a crueldade esteja toda a beleza que nos assiste. Sem mais, nem menos, surge como boa verdade que para que alguém LGBT "alcance o respeito social e não sofra de discriminação, não haja outro remédio senão converter-se em lince. Outras pessoas haverá que se consolarão vendo todas as noites a sua gasta gravação de Os Pássaros, de Hitchcock, sonhando com plumíssimas revoluções".


quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Mestiça Salamanca


Salamanca foi destino. Como sempre, refez-me o coração, aquecido em tanto frio pelo presente quente de M(i)M(i). Ficam repetidamente as imagens das rendas que cobrem os maravilhosos edifícios, ficam os círculos sociais que invejo na sua “movida” mesmo sendo a cidade pequena, ficam as (enviesadas) saudades que o país vizinho não desiste de me provocar.
Mas fica também o recuerdo de um artigo assinado por Armas Marcelo no diário ABC, tendo por título A Leitura da Crise. Não é que me tenha trazido algo de verdadeiramente novo, mas trouxe-me algumas reflexões que um excerto como o que se segue pode comprovar como fortes e desafiantes: “tenho para mim que muitos dos actuais protagonistas da cultura crêem que o multiculturalismo é uma cultura por cima de outra, todas em paz e dançando uma rumba internacionalista e não, como de facto é, o inimigo maior da integração e da mestiçagem. Sem a mestiçagem não vamos a lado nenhum no presente nem no futuro, tal como não teríamos podido chegar a nenhuma parte no passado. Sem a mestiçagem chegamos ao limite nacional, bailamos e cantamos o nosso folclore e, contentes com a guerra, vamos de seguida para casa alimentando a mentira. A Humanidade é mestiça e a cultura é filha de mil pais que foram acumulando, fusão sobre fusão, os seus conhecimentos e a aplicação destes até chegarem ao mundo de hoje. A mestiçagem, esse inimigo do multiculturalismo, é a integração e a contaminação benéfica, opõe-se à fronteira e tende, irreversivelmete, a atrair os necessários contrários”.
Porque também eu havia já mostrado a minha comoção com a mestiçagem, com o que ela nos pode dar de salvação e com a bárbara limitação que tantas pessoas lhe impõe.
Espanha é-me de coração, inclusive por nela haver quem se pronuncie sobre o que a tod@s nos cabe pronunciar.

Olé!

domingo, 26 de outubro de 2008

My Lovely Cidália


É-me definitivamente uma escritora querida.
A brincar, a brincar…
Thank you, Cidália.


"[A respeito da introdução de dedo(s) no(s) ânus] Os homens – muitos deles, põem de facto mais entraves ao sexo na hora da loucura. Ou bem que estão bêbados e depois nem se lembram do que fizeram (será que não?) ou então o medo de verem a sua masculinidade beliscada corta pequenas extravagâncias que podem fazer a diferença. (…) O que é bom na vertigem do sexo é o momento em que deixamos de ter género, idade, corpo, e passamos a ser um amontoado de carne quase indiferenciado mas disposto a tudo. Eu gosto desses momentos em que nos perdemos. E como alguém dizia há dias: a natureza humana é ambígua…
(…) Não temam o desconhecido, mesmo que o desconhecido seja só um dedo no bolo. Se considerarem isto “prevaricar”, então prevariquem. Não leiam só nos livros e nas revistas. Concrectizem. (…) O único risco é haver quem peça um dedo e queira o braço..."


O Polegarzito

O Sexo e a Cidália, Notícias Sábado, 25 de Outubro de 2008

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Des-Branquear Serralves




Arrogante seria assumir que se traz a esta Via uma verdadeira reflexão sobre o que foi a delícia de escutar, numa proximidade possibilitada pelo discurso com que nos brindou, Judith Butler no branco de Serralves. Com ela se percebeu em carne viva que a reflexão reivindica sempre ser reflectida. Com a sua interrogação do que primitivamente nos escusamos a interrogar, Serralves diluiu o branco nas cores por ela tão singularmente afirmadas como potencialmente infinitas no que fazemos de nós. A percebermos os negros da democracia “democraticamente” imposta dos dias que (não) correm, a nos devolvermos o que em cegueira fingimos enterrar: a vulnerabilidade de nos dizermos globalmente responsáveis em tempos de (teimosíssima) Guerra, em escolhas impossivelmente democráticas, terrificamente mediatizadas, estatalmente infligidas de quem deve ou não aceder ao reconhecimento de si. O discurso continua a levar-nos, com ela, ao sentido do não-sentido que é guerrear, torturar, matar “pela paz”. A fazer de nós os peixes estonteados de uma rede tão assustadoramente emaranhada que dita quem pode e quem não pode ser grievable, para nos ofuscar a necessária consciência generalizada da precariedade. Mais me tocou a serena forma com que acusou que é nesta precariedade que se impõe reconhecer o poder masculinista que impõe a vida e a morte, que a ligação de nós com o “nós” se sujeita assustadoramente a quem emerge ou a quem submerge numa (qualquer) reconhecida existência. Porque, e aqui o coração bateu-me, não há como não ter a realidade de caminharmos num autocarro com quem não conhecemos. Numa estrada que só terá caminho iluminado, mais policromático do que o branco de Serralves, na permeabilidade dos selves, numa identidade cooperante e na sociabilidade. Os búzios do mar em que nos convidou a entrar, assobiaram-me que é no “eu” perdido entre todos os “nós” que, afinal, talvez tenhamos caminho para nos encontrarmos e para que possamos saber quais os nós com que poderão construir-se redes que não nos sufoquem nos seus emaranhados. Duas linhas me sobressaíram ainda no branco do Museu: a da troca com Miguel Vale de Almeida e a da oferenda de António Gedeão por um elemento da plateia que entendi reconhecido por Butler, em oposição ao masculinismo e na adjectivação de wonderful sobre a oferenda. Nada poderia ter sido melhor para comprovar que vive o que profere.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Com Graça Se (Des)Vagina


Susan Sarandon (...) não apoiou a candidatura de Hillary Clinton por não acreditar que “a resposta seja qualquer vagina, tem que ser a certa”.
Público, 01 de Outubro de 2008