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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

My Diva


E quero lá saber de juízos sobre a "parolice", o "envelhecimento", a "fraca qualidade musical", a "decadência" ou outras balelas a respeito de uma das minhas divas!
Clico aqui quando me dá na realíssima gana e é um facto que fico melhor.
Sempre linda de morrer, sempre esta voz achocolatada que me faz falta.
You're back, dear Withney! Yeahhhhhh!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Amores e Lua


Dois anos fazem-se de meses que se desdobram em dias e em horas. Fazem-se das imperfeições e das maravilhosas descobertas do quanto alguém pode representar-nos a perfeição. Que é sempre humana e por isso, pois, inventada no que o coração quer dar-nos de engano à imperfeição. Dois anos são o ventre simbolizado do que dois seres amados querem gerar, do que podem gerar, dos medos que a pouco e pouco querem abortar para que o fruto lhes caia nos braços com um encanto crescente. Dois anos são a vida que cada um pode neles colocar, mas são também a contenção do que não se quer gratuitamente gerado, como um dos dois amantes foi capaz de afirmar. Dois anos são-nos a igualdade, esteja ela em papel ou não, esteja ela sempre no desejo do coração. Dois anos são-nos a diferença, trazida ao seu máximo esplendor na aceitação a que os dois amados se obrigam, à espera de que não se obriguem. Somos assim, nós, estes dois e o que de nós nasce já para além de nós. Somos os dois anos de amor, os vinte e quatro meses de sol e de chuva, os 730 dias de incógnitas diminuídas, as 17520 horas de presença e de ausência tão necessária quanto saudosa e os milhões de minutos que dois anos fazem esquecer como terão sido, sem esquecer que o foram. Porque os homens não são promíscuos se não quiserem (apesar de poderem) sê-lo, porque podem desejar-se ardente e construtivamente, porque casam de muitas maneiras. Mas sempre válidas estas formas todas de casar, se os anos, os dias, as horas, os minutos e os segundos souberem tiritar na vida que um papel nem sempre promete ou consegue honrar, mas que sempre existe em vida como prova mais cabal de que o amor não tem que ter sexo nem género. Perceber isto será, certamente, deixar o mundo (e quem o constrói na melhor das esperanças) no sossego prateado de uma lua como a que hoje, tão cheia, brindou aos anos que quisemos celebrar.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A Marcha, II


Não sei bem o que me diz a igualdade. Nem mesmo saberei se ela é exactamente possível, ou se ela será mais possível do que a diferença que em nós habita. Sei, talvez de forma menos incerta, que há muito tempo damos por nós a balizar o pensamento e a vida entre o igual e o diferente. Como sei que é provável a chegada do momento, para alguns e algumas (se não para muitos e muitas) de nós, em que este balizamento perderá sentido.
A igualdade com que vivo é a do abraço tão necessário quanto saudoso, do beijo que apetece depois de não ter apetecido tanto, do desencontro entre o querer e o não querer, do choro e do riso quando acontecem, da subterrânea constância que o ser amado me assegura, da marcha mais ou menos recôndita mas sempre quotidiana do meu orgulho, da vergonhosa vergonha que não conseguem fazer vingar sobre mim. A igualdade com que vivo sopra no horizonte das crenças sem as quais não viveríamos, faz-se pluma no vento que é preciso alimentarmos em nós, finge apenas desvanecer-se quando nos violentam o que não queremos desvanecer e bebe da água que só o querermos ser quem somos faz jorrar. A igualdade com que vivo é incessante na insatisfação com a diferença, essa marca que impede que antes de todas as etiquetas estejamos nós, essa contra-marcha que não se deu ainda conta de que marcharemos, mais ou menos visivelmente, pelas igualdades que a passo e passo cada um e cada uma de nós saberá que lhe vai assistido.
A igualdade com que vivo seria falsa se não fosse quase infinitamente constelada de diferenças. As minhas e as de outrem, as de ontem, as de hoje e as de até. A igualdade que me move já não sabe que nomes pode ter, depois de ter tido tantos e antes de já não saber ter nenhum. Essa é a marcha mais ininterrupta que pode alimentar-nos a vida: feita do céu azul da liberdade, do esbatimento entre a igualdade e a diferença, do sorriso vingado sobre tantas e tão longas torturas, do passo tão singular quanto acompanhado, dos amores que só as miríades quase abarcam, do caminho na procura de sermos cada vez menos o que não somos.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Wonderful Fuckers


Clicar aqui é uma experiência maravilhosa. Que nos faz querer dançar imensamente, tremer da cabeça aos pés no arrepio fantástico de estarmos em todo o lado, perceber que o lado menos mau dos Sarkozis talvez sejam as belíssimas roupas das Brunis, gemer de prazer por mexermos os pulsos e todas as outras partes do corpo sem a lembrança da associação de géneros, gritar ao mundo que por muito, mesmo muito que não queiram, a experiência continuará a ser nossa. Todos os dias, a repetirem este. Ou a repudiarem outros como estes.

PS - um agradecimento à amiga S pelo envio.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Fuck Off, Paul!


Definitivamente, depois de termos uma tão boa notícia como esta, ficamos certificados de que há náufragos com muita, muita sorte, como é o caso deste. Ainda assim, sem o ter sabido, o náufrago fez-nos um favor e, com isso, deu-nos algo muito mais importante e digno do que a sua (imerecida) salvação náufraga: termos tido um barco que, sem se ter afogado, nos deu uma história e uma História bem mais importante do que a do Titanic.

Thanks for Your Blessed Waves.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Requiem para Lisboa


Se Lisboa fosse um Requiem, tê-lo-íamos escrito mais belo do que muitos. Na chuva dos dias que nela houve, houve o céu limpo que lhe oferecemos, houve o abraço da chegada, que é sempre como se não o fosse porque estávamos já lá. Se Lisboa fosse um Requiem, as primeiras notas soariam baixinho no cuidado de acolher, em sobretudo cor de mel, em sorrisos cicerónicos que nos abrigam de muitas chuvas, no caldo verde a saber à felicidade com que enganámos a morbidez da composição. Se Lisboa fosse um Requiem, haveria gente cantando na brancura de uma casa onde pão e vinho sobre a mesa se abriu a gentes que traziam vestidos e a outras tantas gentes que sabem vesti-los. Haveria gente feliz a percorrer um bairro tão alto quanto a vontade de subir ao céu e de nele nos encontrarmos um dia sentados, sem anos contados, sem deuses maiores do que nós, com anjos como os que buscamos nos dias e nas noites ou com diabos sem género mas de pele e de alma frescas. Se Lisboa fosse um Requiem, teria jantares maravilhosamente servidos no bairro ainda alto, teria éter a fazer continuar o céu que lhe inventámos, só para descer ao feliz inferno de um cubículo onde outras gentes vivem de esvoaçados vestidos, só para sorrirmos nas gotas, feitas mais de éter que de chuva, de molhados desejos, nesse inferno ou noutros, procurados na retaguarda de um carro, num quarto com um adónis azulado em quadro que a noite veste de cobalto, nas mãos de um rapaz que inferniza um tão querido tio pelas palavras que não lhe dirige depois de tocá-lo. Se Lisboa fosse um Requiem, não saberia senão ver-se enganada no prenúncio da morte, ou não fossem imensamente nossos o sorriso e o gesto insistentes da Tarantella, o breve e sabido fingimento de sermos aqueles que não morrem nunca. Se Lisboa fosse um Requiem, teria um fim tão saudoso quanto mascarado: de Genet cantando amor, de Rufus-Judy ondulando as mãos como Amália, de um porno-terno a explicar porque há quem nos ame e quem não nos ame mais, de um telhado de onde pudemos ver o rio a que quereremos sempre voltar, de um tio que nos aquece a casa para nos recompor a partitura e nos fazer cantar menos mal. Se Lisboa fosse um Requiem, seria feita de nós, que nela fomos tanto quanto a vontade de sermos quem somos. Avé.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Prazeres de Ano Novo


Ânus. Sirva-se gelado ou a ferver. Sugue-se, sopre-se, aumente-se, diminua-se, alargue-se, estreite-se, estique-se, encolha-se. Não se use se não aprouver, faça-se todo o uso necessário, se necessário for. Está desprovido de leis naturais, não tem género garantido, pode servir tanto a ordem como a desordem humana.
Substituiu o B52, já démodé, e podem solicitá-lo pelo nome de BXVII.
Enjoy it... if you want to!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Mestiça Salamanca


Salamanca foi destino. Como sempre, refez-me o coração, aquecido em tanto frio pelo presente quente de M(i)M(i). Ficam repetidamente as imagens das rendas que cobrem os maravilhosos edifícios, ficam os círculos sociais que invejo na sua “movida” mesmo sendo a cidade pequena, ficam as (enviesadas) saudades que o país vizinho não desiste de me provocar.
Mas fica também o recuerdo de um artigo assinado por Armas Marcelo no diário ABC, tendo por título A Leitura da Crise. Não é que me tenha trazido algo de verdadeiramente novo, mas trouxe-me algumas reflexões que um excerto como o que se segue pode comprovar como fortes e desafiantes: “tenho para mim que muitos dos actuais protagonistas da cultura crêem que o multiculturalismo é uma cultura por cima de outra, todas em paz e dançando uma rumba internacionalista e não, como de facto é, o inimigo maior da integração e da mestiçagem. Sem a mestiçagem não vamos a lado nenhum no presente nem no futuro, tal como não teríamos podido chegar a nenhuma parte no passado. Sem a mestiçagem chegamos ao limite nacional, bailamos e cantamos o nosso folclore e, contentes com a guerra, vamos de seguida para casa alimentando a mentira. A Humanidade é mestiça e a cultura é filha de mil pais que foram acumulando, fusão sobre fusão, os seus conhecimentos e a aplicação destes até chegarem ao mundo de hoje. A mestiçagem, esse inimigo do multiculturalismo, é a integração e a contaminação benéfica, opõe-se à fronteira e tende, irreversivelmete, a atrair os necessários contrários”.
Porque também eu havia já mostrado a minha comoção com a mestiçagem, com o que ela nos pode dar de salvação e com a bárbara limitação que tantas pessoas lhe impõe.
Espanha é-me de coração, inclusive por nela haver quem se pronuncie sobre o que a tod@s nos cabe pronunciar.

Olé!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Alguma Coisa do Mar (ou de Mim)


Foi precisamente assim. Em tempos de mar. Em tempos de saudade.
Numa ilha do Atlântico.
Mais uma vez, obrigado Ana, pela sabedoria das palavras.

Garimpeira da beleza
Te achei na beira de você me achar
Me agarra na cintura, me segura e jura que não vai soltar

E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer
Navegando nos meios seios, mar partindo ao meio
Não vou esquecer
Eu que não sei quase nada do mar
Descobri que não sei nada de mim

Clara, noite rara,
nos levando além da arrebentação
Já não tenho medo de saber quem somos na escuridão
Me agarrei nos seus cabelos
Sua boca quente pra não me afogar
Tua língua correnteza lambe minhas pernas
Como faz o mar

E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer
Navegando nos meus seios, mar partindo ao meio
Não vou esquecer
Eu que não sei quase nada do mar
Descobri que não sei nada de mim

Ana Carolina
Eu Que Não Sei Quase nada do Mar

domingo, 6 de julho de 2008

A Marcha, I



Marcho pelas flores que quero ver
Nascidas do desterro de outras flores
Que mesmo murchas são mais frescas
Do que a secura de dizer não haver dores

Eu preparo uma marcha que é de cores
Sobre o negro da vergonha e do esquecer
Que outras marchas houve para amores
Nada tristes mas apenas impedidos de dizer

Marcho pela vontade de alegria
A gritar a alegria das vontades
De aqui estar a pedir que venha o dia
Que dá luz ao desejo das verdades

Eu preparo uma marcha que é de mim
Para que de mim deixe de ser
Em que só as flores se podem ver
Sem deixar que os desterros nos afoguem
E que os dizeres nos fujam sem as pétalas
Da verdade, do desejo e do querer



terça-feira, 24 de junho de 2008

Olha pro céu


Olha pro céu, meu amor

Vê como ele está lindo

Olha praquele balão multicor

Como no céu vai sumindo

Foi numa noite, igual a esta

Que tu me deste o teu coração

O céu estava, assim em festa

Pois era noite de São João

Havia balões no ar

Xóte, baião no salão

E no terreiro

O teu olhar, que incendiou

Meu coração

Luiz Gonzaga/ José Fernandes

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Emendar o Quadro


É tão curiosa a pequenez que às vezes desvendamos à vida! Os factos, que tantas vezes recusamos ler mais limpidamente, podem conter toda a imensidão dessa pequenez. Quando jantamos e bebemos envolvidos sob a brisa dos nossos lugares e exigimos tranquilamente que não nos gritem. Quando dançamos envoltos de fumo a respirar a abençoada felicidade, ainda que o peito rebente. Quando nos rimos do que julgámos ser trágico. Quando a amizade volta de uma terra apenas distante na geografia. Quando um ser de olhos ainda tristes sente ter renascido numa cirurgia. Quando, já exaustos do que não nos serve, dormimos porque todas as luzes nos pedem descanso no seu flamejo.
Fazer uma leitura assim dos factos nada tem de inédito. Mas tem o sentido inteiro de que valeu a pena chegarmos até aqui, porque a vida nunca é pequena. Afinal, a única ciência da vida é a descoberta cada vez menos dolorosa do que nela não queremos. Para depois podermos querer euforicamente tudo o resto. Da mesma ciência restará o livro que escreveremos sem necessidade alguma de edição: o livro de nós, de nós que jantamos e bebemos, que dançamos em nuvens mais feitas de amor do que de fumo, que voltamos de outras terras sem nunca termos verdadeiramente partido, que nos sabemos renovados na pele. Ou, o mesmo será dizer, o livro que se enche de parágrafos repletos dos factos que para nós realmente contaram, contam e contarão na vida.
O fundo verde enaltece toda essa imensa pequenez dos factos. Em cor de esperança, sem a qual nunca poderíamos dizer estarmos vivos. Da cor sobre a qual podem dormir seres de tão diferentes formas, ainda que com a expressão da mesma substância. De uma substância recoberta de pormenores que nuca o são, quando pintada a tela da vida e da morte. Pormenores que nos sossegam e abraçam, em que uns de nós se representam mais incapazes de sorrir e de mostrar sossego do que outros.
Apesar de nuvens mais ou menos negras, todos nós, que ali estamos, ainda nos vemos separados da morte. Ainda tombamos, mas para o lado que lhe é contrário. Por isso mesmo, a única coisa que quereríamos emendar no quadro seria a expressão da morte. Mudá-la para sabermos, acima das constelações que o céu nos oferece dia a dia, rirmo-nos tranquilamente dela e fazê-la incapaz de se rir de nós. Depois de guardados todos os pequenos mas imensos factos. Depois do livro bem encadernado.
E só depois de sentirmos que já é tempo para um depois de nós.

domingo, 6 de abril de 2008

Desinventar


Há rio. Há flores. Há uma brisa que nem sempre sabemos descobrir. Há tantas serenidades possíveis. Há desamores que inventamos para a vida. Há amores que nos ajudam a desinventar. Há barcos que continuam a perpetuar necessárias flutuações. Há dias maravilhosos, mesmo que a tristeza insista em não querer abandonar-nos os olhos. Há quem saiba de tudo isto. Mas mais ainda há quem me ajude a redescobrir todas estas (e mais) coisas.