quinta-feira, 2 de julho de 2009

A Marcha, II


Não sei bem o que me diz a igualdade. Nem mesmo saberei se ela é exactamente possível, ou se ela será mais possível do que a diferença que em nós habita. Sei, talvez de forma menos incerta, que há muito tempo damos por nós a balizar o pensamento e a vida entre o igual e o diferente. Como sei que é provável a chegada do momento, para alguns e algumas (se não para muitos e muitas) de nós, em que este balizamento perderá sentido.
A igualdade com que vivo é a do abraço tão necessário quanto saudoso, do beijo que apetece depois de não ter apetecido tanto, do desencontro entre o querer e o não querer, do choro e do riso quando acontecem, da subterrânea constância que o ser amado me assegura, da marcha mais ou menos recôndita mas sempre quotidiana do meu orgulho, da vergonhosa vergonha que não conseguem fazer vingar sobre mim. A igualdade com que vivo sopra no horizonte das crenças sem as quais não viveríamos, faz-se pluma no vento que é preciso alimentarmos em nós, finge apenas desvanecer-se quando nos violentam o que não queremos desvanecer e bebe da água que só o querermos ser quem somos faz jorrar. A igualdade com que vivo é incessante na insatisfação com a diferença, essa marca que impede que antes de todas as etiquetas estejamos nós, essa contra-marcha que não se deu ainda conta de que marcharemos, mais ou menos visivelmente, pelas igualdades que a passo e passo cada um e cada uma de nós saberá que lhe vai assistido.
A igualdade com que vivo seria falsa se não fosse quase infinitamente constelada de diferenças. As minhas e as de outrem, as de ontem, as de hoje e as de até. A igualdade que me move já não sabe que nomes pode ter, depois de ter tido tantos e antes de já não saber ter nenhum. Essa é a marcha mais ininterrupta que pode alimentar-nos a vida: feita do céu azul da liberdade, do esbatimento entre a igualdade e a diferença, do sorriso vingado sobre tantas e tão longas torturas, do passo tão singular quanto acompanhado, dos amores que só as miríades quase abarcam, do caminho na procura de sermos cada vez menos o que não somos.

domingo, 7 de junho de 2009

Porto by Night


Breve história: saída de casal gay à noite do Porto. Noite sem novidade, porque já não pode tê-la. Aparece um rapaz alcoolicamente dançante, tão bem disposto quanto lúcido. Quer, nessa boa disposição, oferecer uma dedicatória, escrita num papel qualquer, desde que possa escrevê-la. Transforma a dedicatória em palavras para o casal. Segue-se um laivo de mais acesa lucidez por parte do rapaz: “na noite é isto, ou fodes ou estás desesperado por foder e não consegues; porque a vida é assim – ou sublimas ou destróis”.

Valha-nos tal riqueza na perpétua pobreza da noite.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Wonderful Fuckers


Clicar aqui é uma experiência maravilhosa. Que nos faz querer dançar imensamente, tremer da cabeça aos pés no arrepio fantástico de estarmos em todo o lado, perceber que o lado menos mau dos Sarkozis talvez sejam as belíssimas roupas das Brunis, gemer de prazer por mexermos os pulsos e todas as outras partes do corpo sem a lembrança da associação de géneros, gritar ao mundo que por muito, mesmo muito que não queiram, a experiência continuará a ser nossa. Todos os dias, a repetirem este. Ou a repudiarem outros como estes.

PS - um agradecimento à amiga S pelo envio.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Que linda voltou a ser esta Marcha...




... pelo Desemprego.


Como a gente fica a saber aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, ...


E ora pois, que gentes LGBTTQ..., mulheres, negr@s, imigrantes, emigrantes, cigan@s, ..., não devem mostrar-se assim!


Verdade é que têm que calar muitas vezinhas (leia-se: quase sempre), estejam emregad@s ou não.


Lindo!


sábado, 25 de abril de 2009

Des-nomear o Coiso


Para boa ou bom revlucionári@, é sempre muito olhar o cravo.
E com ele comover-se.
Vermelho, "naturalmente". Rosa, por junção de causa pluralista óbvia.

Liberdade sempre, coiso nunca mais!