segunda-feira, 3 de março de 2008

E se trocassemos géneros?


A respeito da morte de Luna:

“Uma amiga do travesti Luna, …; Luna - de nome verdadeiro Walace Kefler…”
JN – 03 de Março de 2008


O que é, isso sim, verdadeiramente impressionante é como em tão, tão, tão curto bocadinho (repetido em tudo quanto é pasquim disfarçado de jornal) se concentra todo, todo, todo o erro que motiva o incessável sofrimento e que leva à morte! Quando é que a porcaria da linguagem vai mudar, obviamente a começar pela comunicação social, para que se perceba de vez as porcarias ainda existentes no mundo em que vivemos?

Proposta: passarmos a dizer “Deus NossA SenhorA Jesus Cristo”, “O nossO Pátria” e “O Família”. Alguém duvida que o mundo se escandalizasse pela troca dos respectivos géneros e desatasse a barafustar por ter havido uma gravíssima falha no que está escrito? Eu não.
Pode ser que logo a seguir um número significativo de pessoas se escandalize porque as gravíssimas falhas são as de não ser nem travesti, nem masculino, nem “de nome verdadeiro” (o que é isso!?), a não ser o que escolheu: LUNA!.
BeijnhAs Fácteas (aqui se assume a desejável troca).

2 comentários:

rosa que fuma disse...

nome legal, sem dúvida.
quanto à troca de géneros linguística, é necessária uma persistencia de sócrates (o velho). A linguagem das arrobas implica na leitura que cada qual leia no seu genero, atribuindo ao outro essa responsabilidade de descodificar (como acontece presentemente ao genero feminino)

Deusa nossa senhora, detalhes, sugere multiplicidade de deuses, não uma troca de genero. talvez que intuitivamente, não lhe tenha escapado, hein?

Nuno Santos Carneiro disse...

Inteligente comentário de Rosa, felizmente que fuma, como discriminatoriamente se pretende neste blog. Sócrates, o novo, nunca terá as persistências do (literalmente) género. Descodificações são feitas, ao menos, por Rosas destas e isso é já bastante. Por último, intuitivamente não escapou, tendo apenas sido dito "Deus NossA" para que a dissonância surtisse mais efeito.
Obrigado, Rosa. E um cigarro (que, se lhe aprouver, pode acompanhar de umA cigarrA) também para si. Fumarei já um.